sábado, 2 de fevereiro de 2008

Homossexualidade: conhecer para respeitar

Você sabe o que é homossexualidade? Que reação você teria ou que atitude você tomaria se em sua família existisse um homossexual? Provavelmente, alguma vez você já se perguntou o que leva uma menina a gostar de outra menina, ou já se surpreendeu ao saber que dois garotos da escola estavam namorando. Quem sabe você já se questionou, mesmo que vagamente, se você seria homossexual? Então reflita: se este assunto está tão presente em nossas vidas, por que ainda é um tabu? Por que algumas pessoas insistem em distorcer os conceitos da homossexualidade?

Assim como a heterossexualidade, ser homossexual não é uma doença ou desvio de comportamento, nem perversão, como algumas pessoas, infelizmente, ainda teimam em acreditar. Muito pelo contrário: ser homossexual é o mesmo que ser heterossexual. A homossexualidade é o fenômeno de que uma pessoa (do sexo masculino ou feminino) possa preferir pessoas do mesmo sexo para atividade sexual e/ou ligações íntimas.

Segundo Maria Werebe, em seu livro “Sexualidade Política e Educação”, o termo homossexualidade foi criado em 1869, por um médico húngaro que solicitou ao ministro da justiça que fosse abolida a lei que a condenava. Na sua concepção, esse termo era empregado para descrever uma pessoa com certos atributos e não uma experiência universal.

Werebe diz que vários termos foram, e ainda são, usados para designar o homossexual masculino e feminino: “invertido”, “afeminado”, “louco”, “tante”, “sapatas”, “caminhoneiras” e “fanchonas” Nos anos 70, tornou-se freqüente a utilização do termo americano “gay”, (que significa alegre, entregue aos prazeres). Esse termo, “gay”, nasceu nos Estados Unidos, depois das primeiras lutas do movimento homossexual.

Em 1974, a Associação Americana de Psiquiatria decidiu retirar o homossexualismo da lista das doenças mentais, declarando: “A homossexualidade é uma forma de comportamento sexual e, como as outras formas de comportamento sexual, que não constituem distúrbios psiquiátricos, ela não se inclui na lista das doenças mentais”.
Deixou de ser HOMOSSEXUALISMO, (pois na medicina o sufixo ismo quer dizer doença) e passou a ser HOMOSSEXUALIDADE (o sufixo dade significa modo de ser).

A homossexualidade sempre existiu e está presente nas sociedades ao longo da história e da cultura humana e não é surpreendente que ela seja expressa com uma ampla variedade de formas e seja vista de modos nitidamente contrastantes durante períodos históricos distintos e em diferentes sociedades. Em algumas épocas e lugares, a homossexualidade era elemento aceito na vida cotidiana, em outros contextos, tem sido considerada ofensa moral, punível com a morte; ou, ainda, designada como anomalia digna de pena e a ser curada com tratamento médico.

Antigamente a homossexualidade era escondida, mascarada, os próprios homossexuais não tinham força para lutar por seus direitos de igualdade. Mas, atualmente, os movimentos homossexuais são cada vez mais numerosos e acontecem a fim de reivindicar e lutar pelo reconhecimento de sua condição; para obter os direitos sociais equivalentes aos que existem para os casais heterossexuais legalmente constituídos. Isso têm influenciado a opinião pública, no sentido da aceitação e da tolerância da homossexualidade, e tem contribuído para a adoção de dispositivos legais contra a discriminação dos homossexuais.

Porém, hoje, com tanta informação, ainda é difícil para as pessoas entenderem o que é ser homossexual, identificar e aceitar esta outra forma de desenvolver a sexualidade. A sociedade tenta esconder a realidade e não vê a homossexualidade como algo normal entre duas pessoas, como uma experiência na qual possa existir amor. Ela só é relacionada com o sexo, gesto este que a sociedade vê como concebível somente entre homens e mulheres, seres estes, capazes de reprodução.

Para acabar com toda essa resistência psicológica, talvez só haja um caminho: o do respeito. Homossexualidade não é crime, não é doença e não é contagiosa. O preconceito, sim, é contagioso e destrói. Antes de ser homossexual, a pessoa é mãe, pai, tio, amigo, exerce qualquer profissão, ou seja, se ficarmos presos somente a uma característica pessoal, perderemos o melhor que cada um tem a oferecer, porque só discrimina aquele que não conhece.

Por Lucineide Picolli - Acadêmica de Psicologia

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