O que aconteceria se um rapaz gay vestindo, talvez, uma calça apertada ou uma camiseta curta, ao chegar à faculdade em que já estuda há algum tempo, fosse perseguido por uma multidão empenhada em insultá-lo e em passar a mão em seu corpo?
No primeiro momento, como aconteceu outro dia com a jovem aluna da Uniban perseguida pelos colegas, talvez pedisse socorro a um professor, a um amigo, à força policial mais próxima.
Mas, no dia seguinte, tenho certeza, o mundo gay, por intermédio de suas ONGs, publicações, blogs, sites, líderes, reagiria com estridência.
Assim como acaba de fazer diante das declarações desastrosas do governador Requião, os gays sabem se mobilizar e exigir respeito.
Talvez por terem experiência no confronto físico, ou por conhecerem o peso da clandestinidade, não engolem abuso em silêncio.
O que aconteceu com o a aluna da Uniban foi grave: foi quase um linchamento.
Houve vozes isoladas que se manifestaram com indignação, houve a reportagem da Folha, na qual se podia perceber, mesmo na linguagem apressada do jornalismo diário, a consciência da gravidade do acontecimento.
Vai fazer uma semana e - posso estar enganada - mas não vi ninguém falar em nome das mulheres, de todas as mulheres.
Nenhuma ministra, nenhuma secretária de estado, a direção da faculdade, a delegacia da mulher, as alunas dessa escola perigosa.
Será que ninguém compreendeu que o ataque foi contra todas as mulheres, e não apenas contra uma jovem de vestido curto?
E quando todas as mulheres são insultadas publicamente, quem exprime o seu protesto? Será que somos ainda uma categoria e que temos representantes?
Ou devemos reagir solitariamente, uma por uma?
Não estou querendo recuperar os dias do feminismo militante, em que havia associações chamadas “coletivos”, divididos em dezenas de especialidades - os das mulheres negras, os das homossexuais, os das professoras universitárias...
Tampouco tenho saudade da época em que toda semana alguma mulher articulada e articulista afirmava que os homens estavam “perplexos” diante dos novos comportamentos (até porque, a essa altura, se alguém está perplexo somos nós, diante de atitudes arcaicas como a dos rapazes da Uniban).
O que eu gostaria de recuperar é aquilo que, graças a tantos esforços, parecia conquistado: direitos iguais. No mínimo, o de escolher a própria roupa.
Garanto que os gays não iam deixar barato.
Quem é Marta GóesÉ jornalista e escritora, autora das peças "Prepare Seus Pés para o Verão" e "Um Porto para Elizabeth Bishop", que foi encenada em Nova York, por Amy Irving. Tambem a "Reserva", encenada por Irene Ravache. Trabalhou no "Caderno2", do jornal "O Estado de S. Paulo", e nas revistas "IstoÉ" e "Cláudia", entre outras publicações.
No primeiro momento, como aconteceu outro dia com a jovem aluna da Uniban perseguida pelos colegas, talvez pedisse socorro a um professor, a um amigo, à força policial mais próxima.
Mas, no dia seguinte, tenho certeza, o mundo gay, por intermédio de suas ONGs, publicações, blogs, sites, líderes, reagiria com estridência.
Assim como acaba de fazer diante das declarações desastrosas do governador Requião, os gays sabem se mobilizar e exigir respeito.
Talvez por terem experiência no confronto físico, ou por conhecerem o peso da clandestinidade, não engolem abuso em silêncio.
O que aconteceu com o a aluna da Uniban foi grave: foi quase um linchamento.
Houve vozes isoladas que se manifestaram com indignação, houve a reportagem da Folha, na qual se podia perceber, mesmo na linguagem apressada do jornalismo diário, a consciência da gravidade do acontecimento.
Vai fazer uma semana e - posso estar enganada - mas não vi ninguém falar em nome das mulheres, de todas as mulheres.
Nenhuma ministra, nenhuma secretária de estado, a direção da faculdade, a delegacia da mulher, as alunas dessa escola perigosa.
Será que ninguém compreendeu que o ataque foi contra todas as mulheres, e não apenas contra uma jovem de vestido curto?
E quando todas as mulheres são insultadas publicamente, quem exprime o seu protesto? Será que somos ainda uma categoria e que temos representantes?
Ou devemos reagir solitariamente, uma por uma?
Não estou querendo recuperar os dias do feminismo militante, em que havia associações chamadas “coletivos”, divididos em dezenas de especialidades - os das mulheres negras, os das homossexuais, os das professoras universitárias...
Tampouco tenho saudade da época em que toda semana alguma mulher articulada e articulista afirmava que os homens estavam “perplexos” diante dos novos comportamentos (até porque, a essa altura, se alguém está perplexo somos nós, diante de atitudes arcaicas como a dos rapazes da Uniban).
O que eu gostaria de recuperar é aquilo que, graças a tantos esforços, parecia conquistado: direitos iguais. No mínimo, o de escolher a própria roupa.
Garanto que os gays não iam deixar barato.
Quem é Marta GóesÉ jornalista e escritora, autora das peças "Prepare Seus Pés para o Verão" e "Um Porto para Elizabeth Bishop", que foi encenada em Nova York, por Amy Irving. Tambem a "Reserva", encenada por Irene Ravache. Trabalhou no "Caderno2", do jornal "O Estado de S. Paulo", e nas revistas "IstoÉ" e "Cláudia", entre outras publicações.





1 comentários:
Certíssima!
Acho(ou tenho certeza?) que as pessoas estão estagnadas e alienadas e não movem um dedinho pelos seus direitos, viva anos 80 quando ainda existia manisfestação para mudar a realidade.
Enfim, não deixaríamos barato mesmo!
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